“Yr Hen Darw” – Mary Vaughan Jones

Hoje vou falar de um livro inesperado, que comprei em uma viagem quatro anos atrás e que reencontrei semana passada em uma caixa.

Mary Vaughan Jones é uma escritora de livros infantis nascida no País de Gales e de extrema importância para a literatura galesa. Suas dezenas de livros foram todos escritos em galês, uma língua maravilhosa falada no país mas que, infelizmente, há séculos vem sendo obscurecida pelo inglês… a língua do dominador. Estima-se que menos de 20% dos galeses falam sua língua nativa, o que é algo triste.

De qualquer forma, o livro, como diz o nome da série – “Cyfres Darllen Stori”, algo como “Histórias para serem lidas” (estou usando o google translator mais considerações lógicas gerais) – é perfeito para ser lido para crianças pré-alfabetizadas ou no início da alfabetização. A história deixará as crianças interessadíssimas até o fim! Sem contar que os desenhos são muito fofos – sem dúvida é a vaquinha mais incrível que já vi em qualquer livro (a ilustradora chama-se Rowena Wyn Jones).

O título significa “A velha vaquinha”, e o livro conta a história desta simpática vaquinha que vai comprar um presente para seu grande amigo Joci Soch, o porquinho. Mas quando a vaquinha volta para casa, onde está o seu amigo? Ou, como dizem em galês, “Ble Mae Joci Soch? Mae’r ty yn ddistaw.” (“Onde está Joci Soch? Está tudo tão quieto.”)

Como curiosidade linguística, em galês o “y” pode ser acentuado, mas pra se ter uma ideia meu computador é uma máquina imperialista e quando tento escrever a palavra “casa” ela sai “tˆy”, com o acento separado da letra.

Sou um grande defensor de línguas e dialetos. Elas são parte essencial da história da humanidade e não deveriam sofrer as ondas de massificação ignorante que vivemos nos dias de hoje. Livros infantis como este podem vir a ser tão importantes quanto qualquer outro na manuntenção e desenvolvimento de uma linguagem, pois irá tornar a língua ativa para crianças que, sem materias como este, estariam limitadas ao inglês dominante, no caso galês – ou espanhol dominante, no caso da língua basca, galega ou catalã, além de inúmeros outros casos ao redor do mundo.

 

“O Balé da Chuva” – de Marilza Conceição

Este belíssimo livro da escritora paranaense Marilza Conceição é, na minha opinião, mais uma obra poética do que propriamente infantil. Quando escrevi “Tito, o gato”, desejei que a história também fizesse sentido para adultos, e talvez tenha visto no livro da Marilza a mesma intenção. Na história, uma mãe ajuda sua filha a perder o medo da chuva através de analogias entre, por exemplo, as gotas e o tocar de um teclado, o vento com um cantor, etc.

Claro que essa é uma explicação bastante simples; não tentarei reproduzir aqui a riqueza da prosa, que é elevada. Uma das razões que me fazem dizer ser o texto mais adulto do que infantil é, inclusive, o próprio modo como o português é utilizado, de forma muito mais complexa do que se espera de um livro infantil. Outra razão é que a história certamente tocará fundo em qualquer pai ou mãe, pois o ato de explicar algo para um filho, e como isso se torna um momento especial para todos, é precisamente refletida aqui.

Os desenhos, de Alessandra Tozi, são excelentes. Vi recentemente um curta-metragem que adaptou a história, mas apesar de alguns méritos do curta, prefiro a história no papel, sem sombra de dúvidas!

“Tres gatos cantores” – de Marta Rivera Ferner

Este livro infantil foi escrito originalmente em espanhol. embora eu o tenha conseguido na tradução para o galego. Na história, três gatos – que se chamam Um, Dois e Três – passam as noites à cantar nos telhados das casas, atrapalhando o sono da vizinhança. Três gatinhas conhecidas dos cantores, muito incomodadas, bolam um plano para acabar com a cantoria – colocando-a em uma casa de espetáculos e cobrando ingresso…

A história é bastante lúdica e me pareceu muito boa para ser contada para crianças. O ritmo é bastante adequada para uma contação. Os gatos são todos sapientes e até interagem diretamente com humanos, como por exemplo as gatas tratando com um produto musical sobre o espetáculo.

Os desenhos são muito bonitos e são realçados pelo fato do fundo deles ser feito muitas vez com fotos de objetos e localizações reais – entre outros, as casas pelas quais os gatos passeiam são fotos de construções reais.

Em suma, um livro divertido, voltado mais para crianças pequenas.

“Três gatas e a surpresa da tempestade” de Adriano Renzi

Irei ocasionalmente postar reviews de livros infantis que me agradaram. Começo com “Três gatas e a surpresa da tempestade”!

O texto, que é escrito em rimas, conta sobre três gatas que vivem na mesma casa mas que não costumam dividir as coisas – cada uma possui o seu próprio pote de comida, sua cama, etc. Mas durante uma tempestade surge uma nova moradora…

O foco principal da história é o compartilhamento, e o livro é excelente para tratar desse assunto com crianças. Gateiros obviamente irão reconhecer os diversos eventos que se passam.

Este livro, que foi produzido através do Catarse, possui desenhos incrivelmente bem-feitos. Os gatos que Adriano Renzi desenha são muito fofos; na verdade, temos um desenhista com muita técnica e emoção. Os felinos, os humanos, os cenários – tudo é de altíssimo nível. Fiquei bastante feliz em conseguir esta bela obra.

Sonho

Hoje acordei de um sonho muito lindo!
No forro de minha casa vive uma família de gambás, como esse da foto. Apesar de fofinhos, fazem muita bagunça. Mas como ainda não descobri um jeito de tirá-los de lá sem machucá-los, eu deixo eles lá – afinal, eles também merecem seu abrigo.
No meu sonho, um gambá passou a entrar dentro da casa. Eu e o Tito então decidimos dar um susto bem grande no bicho para que ele voltasse para o forro e não entrasse mais. Nos escondíamos atrás da porta e BAM! Entrávamos na sala, afugentando o gambá! Fizemos isso duas vezes e então acordei…
Fiquei muito feliz de em meu sonho estar conversando com o Tito, como se ele também falasse português, e planejando brincadeiras juntos… éramos dois irmãos. Como disse o grande Ferrreira Gullar:

“Então eu acordei
feliz e contente!
Era sonho, claro.
Mas, como se sabe,
é no sonho que ocorre
o que se deseja
e no mundo não cabe.”

Castração de animais de estimação

PICT0022Vou contar um segredo de Tito… ele não é castrado! Mas, ao mesmo tempo, sou totalmente a favor da castração de animais. Leiam a história e entenderão:

Quanto comprei o Tito eu imaginava um dia cruzá-lo com alguma gatinha, e não demorou muito para eu conseguir a Tuli fofíssima. Em meus sonhos eu teria uma ninhada ou duas deles, e então os castraria.

Interessante é ser comum os donos de cães não castrarem seus animais, tencionando cruzá-los em algum momento da vida, mas isso não é normal com donos de gatos. Creio ser por causa da pouca amplitude de raças de gatos em nosso país. Mas isso é outro tema!

Voltando ao Tito e à Tuli – a gatinha entrou em seu primeiro cio muito cedo, com 10 meses, mais ou menos. Tentei de tudo para separar os namorados, para cruzá-los no segundo cio. Mas não consegui! Assim que a Tuli saia do cio, passava uns dias e ela voltava novamente! Depois me disseram que, enquanto a gata não é fecundada, ela entra e sai do cio constantemente.

Não sei se foi por causa da idade prematura da Tuli, da doença pré-natal do Tito (aquela sobre a qual falo no livro), o destino… a questão é que a Tuli abortou os filhotes. Alguns fetos nem chegaram a se desenvolver… e na operação para salvá-la, ela acabou sendo castrada.

Isso já faz vários anos, e mesmo assim até hoje não castrei o Tito. Por quê?

Há muitas razões. Creio que elas ao mesmo tempo servirão para ver as vantagens de castrar um gato.

1) Vários veterinários já me disseram que, tendo em vista a idade (10 anos e meio), castrar o Tito não irá fazê-lo mudar de costumes – marcar território, por exemplo. Ele já se acostumou. Lição: há um motivo para castrar cedo os animais.

2) Deriva-se disso que ele ficará muito frágil se eu castrá-lo agora. Como ele está acostumado a proteger seu território, encarar outros gatos, etc., se eu castrá-lo ele irá continuar fazendo isso, mas sem os hormônios que o dão força e coragem. Conheço pessoas que demoraram a castrar seus gatos – anos – e em todos aconteceu a mesma coisa: viraram o “saco de pancadas” de outros gatos. Alguns chegaram até a morrer. Essa é outra razão para castrá-los cedo, pois então terão uma vida condizente com a castração.

3) A raça. O Tito é um persa exótico, que é uma raça muito, muito folgada – é a raça do Garfield. Ele nunca saiu do terreno da casa para caçar, lutar… Mas se fosse uma raça mais ativa, eu ficaria apavorado pensando que ele estaria andando pela vizinhança à noite. Para ser sincero, não ia conseguir nem dormir… não corra riscos!

4) Comida. Talvez seja da raça, ou talvez da qualidade da ração (Royal Canin), mas meus gatos não comem nada além da ração. E nada é nada MESMO. Não adianta oferecer sardinha, patê, nada. Sendo assim, eles não sentem vontade de caçar, de procurar comida em outros lugares – o que reforça o ponto anterior: eles não saem do terreno da casa. Mas admito que não conheço nenhum outro gato que não goste de alterar seu menu de vez em quando.

5) A parte mais deliciosa do Tito são suas bochechas. E elas existem por ele não ser castrado. Lá se acumulam os hormônios de defesa, para que ele possa aguentar impactos e mordidas de outros bichos. Inclusive o protege da Tuli, que adora dar uma mordidas nele (ele é um gentleman, não retruca). Claro que o Tito é completamente esférico, todo redondo, então as bochechas são ainda mais.

6) Ele já é gordo. Castrando-o ele ficará muito mais gordo, e isso seria ruim para sua saúde. Sendo ele um tanto calmo, já é difícil ele se exercitar muito. Castrando-o ele ficaria ainda mais parado. Mas lembro que isso é uma questão de raça – e que há rações especiais para gatos castrados.

Claro que é mais de uma década vivendo ao lado do meu fofinho, e estou muito acostumado. É diferente um gato castrado de um não castrado. Obviamente ele demonstra um caráter muito mais masculinizado.

Mas sendo eu a exceção que confirma a regra, não consigo ver uma razão para que as pessoas não castrem seus gatos, a não ser que desejem reproduzi-los – o que, por experiência, não é algo simples de se fazer.