Trabalhos variados

Raramente atualizo aqui, admito. Mas estou constantemente atualizando outros canais!

Na página do facebook do Tito, continuo postando fotos, falando de gatos, e de meu trabalho com os livros. Ano passado li as história do Tito e da Tuli para milhares de crianças, em várias escolas.

Estou com outros projetos com livros, que terão novidades em breve.

No blog Eu Gosto de Jogar comecei a escrever sobre quadrinhos, principalmente sobre os mal-feitos.

Um curta metragem que co-roteirizei girou o mundo e até ganhou alguns prêmios. Chama-se Entrevista de Emprego.

Na música, a banda Sex Psych Love está em um hiato, mas estou com outro projeto, com letras em português, que é muito interessante. Mais novidades em breve.

Anos atrás eu escrevia sobre Formula 1. Desde 2002 eu assistia às corridas com uma fidelidade absurda – chegando até mesmo a marcar viagens que eu fazia para não coincidir os horários. Mas nos últimos anos o espetáculo tem sido tão ruim, mas tão ruim, que chega. O ano passado foi abismal de ruim e não há como continuar me enganando. Chapéu para essa categoria.

 

 

 

 

“Boris” – Concha Blanco

Este livro, de uma escritora galega, foi um belo achado. Em quatorze capítulos curtos, é contada a história de Boris, uma gatinha (sim, fêmea) que surge na vida de uma criança. Os problemas que os donos de gatos conhecem estão lá – como chamar o bichano (a confusão da gatinha por ser chamada de Boris), a dificuldade em vesti-los, como transportá-los em uma viagem, alergia ao pelo, etc.

A história tende um tanto para a melancolia –  é triste quando a gatinha fica sozinha durante a viagem dos humanos, e no final ela precisa encontrar um novo lar pois a criança que cuida dela possui alergia a gatos. O final é até feliz, mas a situação pode ressoar triste para donos de gatos que já sofreram com essas coisas.

Os desenhos são esparsos, e em preto-e-branco, mas bastante simpáticos. Boris é uma fofura! Certamente um livro para crianças um pouco mais velhas, e no qual todo gateiro irá encontrar referências variadas.

“Yr Hen Darw” – Mary Vaughan Jones

Hoje vou falar de um livro inesperado, que comprei em uma viagem quatro anos atrás e que reencontrei semana passada em uma caixa.

Mary Vaughan Jones é uma escritora de livros infantis nascida no País de Gales e de extrema importância para a literatura galesa. Suas dezenas de livros foram todos escritos em galês, uma língua maravilhosa falada no país mas que, infelizmente, há séculos vem sendo obscurecida pelo inglês… a língua do dominador. Estima-se que menos de 20% dos galeses falam sua língua nativa, o que é algo triste.

De qualquer forma, o livro, como diz o nome da série – “Cyfres Darllen Stori”, algo como “Histórias para serem lidas” (estou usando o google translator mais considerações lógicas gerais) – é perfeito para ser lido para crianças pré-alfabetizadas ou no início da alfabetização. A história deixará as crianças interessadíssimas até o fim! Sem contar que os desenhos são muito fofos – sem dúvida é a vaquinha mais incrível que já vi em qualquer livro (a ilustradora chama-se Rowena Wyn Jones).

O título significa “A velha vaquinha”, e o livro conta a história desta simpática vaquinha que vai comprar um presente para seu grande amigo Joci Soch, o porquinho. Mas quando a vaquinha volta para casa, onde está o seu amigo? Ou, como dizem em galês, “Ble Mae Joci Soch? Mae’r ty yn ddistaw.” (“Onde está Joci Soch? Está tudo tão quieto.”)

Como curiosidade linguística, em galês o “y” pode ser acentuado, mas pra se ter uma ideia meu computador é uma máquina imperialista e quando tento escrever a palavra “casa” ela sai “tˆy”, com o acento separado da letra.

Sou um grande defensor de línguas e dialetos. Elas são parte essencial da história da humanidade e não deveriam sofrer as ondas de massificação ignorante que vivemos nos dias de hoje. Livros infantis como este podem vir a ser tão importantes quanto qualquer outro na manuntenção e desenvolvimento de uma linguagem, pois irá tornar a língua ativa para crianças que, sem materias como este, estariam limitadas ao inglês dominante, no caso galês – ou espanhol dominante, no caso da língua basca, galega ou catalã, além de inúmeros outros casos ao redor do mundo.

 

“O Balé da Chuva” – de Marilza Conceição

Este belíssimo livro da escritora paranaense Marilza Conceição é, na minha opinião, mais uma obra poética do que propriamente infantil. Quando escrevi “Tito, o gato”, desejei que a história também fizesse sentido para adultos, e talvez tenha visto no livro da Marilza a mesma intenção. Na história, uma mãe ajuda sua filha a perder o medo da chuva através de analogias entre, por exemplo, as gotas e o tocar de um teclado, o vento com um cantor, etc.

Claro que essa é uma explicação bastante simples; não tentarei reproduzir aqui a riqueza da prosa, que é elevada. Uma das razões que me fazem dizer ser o texto mais adulto do que infantil é, inclusive, o próprio modo como o português é utilizado, de forma muito mais complexa do que se espera de um livro infantil. Outra razão é que a história certamente tocará fundo em qualquer pai ou mãe, pois o ato de explicar algo para um filho, e como isso se torna um momento especial para todos, é precisamente refletida aqui.

Os desenhos, de Alessandra Tozi, são excelentes. Vi recentemente um curta-metragem que adaptou a história, mas apesar de alguns méritos do curta, prefiro a história no papel, sem sombra de dúvidas!